Alessandra Nunes Ribeiro
“Buscamos a totalidade e nos encantamos e apaixonamos justamente pelas características que precisamos desenvolver. Olhamos nos olhos de alguém e enxergamos tijolos para nossa construção. Encontramos possibilidades de completude. Mas enquanto tudo isso fica no inconsciente podemos nos perder. O outro não pode servir de degrau. Se seus olhos são reflexivos, tudo pelo que nos encantamos e tudo o que precisamos está em nós mesmos”.
Carl G. Jung
Todo o ser humano necessita de amor e busca sentir-se pertencente ao meio em que vive, afinal somos seres sociáveis e, nos primeiros anos de vida, dependemos do cuidado de outra pessoa para sobrevivermos. E a fim de obter aprovação e afeto daqueles que são importantes para nós, muitas vezes renunciamos ao próprio processo de desenvolvimento como indivíduos únicos que somos, nos moldando à papéis socialmente aceitos.
A busca pelo entendimento do significado psicológico da religião e do sagrado, bem como da imagem de Deus, perpassam não apenas toda a obra de Carl Jung, mas também a sua vida; ele acreditava que existe um instinto natural de busca pelo sagrado, o qual é arquetípico e, por isso, pertencente à toda psique humana. Jung acreditava que o distanciamento do sagrado era responsável pelo alto número de neurose que encontramos na atualidade, já que as pessoas teriam perdido a conexão consigo mesmas e com o divino.
Desde o nascimento, o ser humano é influenciado pelo meio no qual está inserido, sendo ensinado baixo um sistema de crenças e valores culturais e familiares. Esse contexto tem forte influência na construção da sua identidade e na formação do seu senso de valor pessoal, dado que a criança depende totalmente dos seus cuidadores e tem seu psiquismo ainda muito suscetível a interferências do coletivo.
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